A feira que acorda antes da cidade
Toda quinta, antes do sol alcançar os telhados de Recife, Dona Alzira monta o mesmo barraco de lonas há vinte e três anos. Uma crônica sobre rotina, memória e o cheiro de manga madura.
Reportagens longas, crônicas e notas de campo sobre o Brasil.
Toda quinta, antes do sol alcançar os telhados de Recife, Dona Alzira monta o mesmo barraco de lonas há vinte e três anos. Uma crônica sobre rotina, memória e o cheiro de manga madura.
Na sala de um apartamento em Campinas, um instrumento guarda o rastro de bisavô, avô e neto. A história de uma família contada pelas marcas no braço do jacarandá.
No Jardim Botânico do Rio, vizinhos organizaram uma assembleia para decidir quais ipês podiam ser podados. Um retrato de convivência urbana em tempos de calor extremo.
Leitora carioca enviou um mapa desenhado à mão com as esquinas onde aprendeu a andar de bicicleta, o bar onde o pai tomava café e a escadaria onde se declarou pela primeira vez. "Santa Teresa não cabe no GPS", escreveu. Publicamos a nota como lembrete de que cidades são feitas de memórias particulares — e que nem tudo precisa virar reportagem de quinze parágrafos para merecer espaço.
Em três bairros de Belo Horizonte, pequenos espaços de arte mantêm portas abertas há mais de uma década sem verba pública. Rafael Mendes visitou um deles numa terça-feira de pouco movimento e voltou com esta nota: "A mostra tinha oito visitantes, contando o gato do vizinho. Ainda assim, a curadora disse que valeu a pena abrir." Às vezes, cultura é isso — persistência sem plateia.